Advogado alerta para avanço do endividamento empresarial

O endividamento empresarial segue como um dos principais desafios estruturais da economia brasileira. Dados recentes indicam que cerca de 8,4 milhões de empresas convivem hoje com algum nível de inadimplência ou restrição em seus CNPJs. Entre os fatores mais recorrentes estão o custo elevado do crédito, a complexidade dos contratos bancários e a dificuldade de reestruturação financeira em cenários de pressão sobre o caixa.
Advogado alerta para avanço do endividamento empresarial

O endividamento empresarial segue como um dos principais desafios estruturais da economia brasileira. Dados recentes indicam que cerca de 8,4 milhões de empresas convivem hoje com algum nível de inadimplência ou restrição em seus CNPJs. Entre os fatores mais recorrentes estão o custo elevado do crédito, a complexidade dos contratos bancários e a dificuldade de reestruturação financeira em cenários de pressão sobre o caixa.

Operar alavancado no Brasil exige um grau elevado de previsibilidade financeira e jurídica. Segundo Valdecir Rabelo, existem situações em que: “O empresário recorre a operações de crédito em momentos de necessidade financeira, sem conhecimento completo das condições contratuais aplicáveis. Linhas de capital de giro, antecipação de recebíveis e renegociações sucessivas podem resultar na formação de estruturas de endividamento mais complexas, inclusive em empresas com faturamento recorrente e atividade econômica em funcionamento regular.”

O sistema de crédito nacional tende a penalizar com rapidez a inadimplência, ao mesmo tempo em que oferece pouca clareza sobre mecanismos contratuais que impactam diretamente o custo final da dívida. Em muitos casos, empresários só percebem o real alcance dos encargos após sucessivas renegociações, quando o passivo já compromete a operação.

Foi nesse contexto que, em 2012, surgiu a VR Advogados, com foco na atuação em direito bancário e reestruturação de passivos empresariais. A proposta do escritório foi direcionar esforços à análise técnica de contratos e à negociação estruturada de dívidas, buscando reduzir valores, reorganizar fluxos e devolver previsibilidade financeira às empresas atendidas.

Ao longo de mais de uma década de atuação, a banca afirma ter negociado mais de R$ 500 milhões em passivos bancários, atendendo empresas de diferentes setores e portes. Segundo o escritório, o trabalho vai além da renegociação pontual, envolvendo a identificação de distorções contratuais, revisão de encargos e construção de estratégias jurídicas adequadas à realidade operacional de cada empresa.

Segundo Valdecir Rabelo Filho, advogado e CEO da VR Advogados, uma parte relevante das dificuldades enfrentadas por empresas em ciclos de aperto de crédito é a perda de previsibilidade do caixa quando a renegociação ocorre de forma emergencial e sem visão consolidada do passivo: “Em muitos casos, a empresa renegocia para ganhar fôlego imediato, mas sem reorganizar o conjunto das obrigações. Quando isso acontece, a dívida pode continuar pressionando o fluxo de caixa por vários meses”.

No mesmo sentido a avaliação da economista Camila Abdelmalack, porta-voz técnica citada no comunicado da Serasa Experian, o recorde de empresas negativadas ocorre em um contexto em que a desaceleração na concessão de crédito limita a renegociação de obrigações e aumenta a pressão de liquidez, especialmente entre micro e pequenas empresas.

Os dados também se conectam ao custo do crédito no país. O Banco Central do Brasil publica, por modalidade, as taxas médias de juros praticadas pelas instituições financeiras, permitindo acompanhar o comportamento do crédito ao longo do tempo.

Além do custo do dinheiro, a organização financeira aparece como um fator recorrente na gestão de caixa, sobretudo em períodos de maior oscilação econômica. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) descreve o fluxo de caixa como ferramenta de controle e projeção de entradas e saídas, associada à tomada de decisão e ao planejamento financeiro do negócio.

Para 2026, o ambiente de negócios deve seguir influenciado por variáveis macroeconômicas e por eventos de grande escala que afetam consumo, turismo, logística e cadeias de suprimento. Entre os eventos já calendarizados estão os Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026, com competições a partir de 4 de fevereiro e cerimônia de abertura em 6 de fevereiro, e a Copa do Mundo FIFA 2026, programada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho.

O debate sobre endividamento empresarial também envolve aspectos de acesso à informação e governança financeira. Publicações internacionais, como relatórios da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre políticas para pequenas e médias empresas no Brasil, discutem desafios estruturais de financiamento e a necessidade de ampliar capacidades de gestão e instrumentos de suporte ao empreendedor.

Com a combinação de inadimplência corporativa em patamar elevado, monitoramento público de taxas de juros e maior demanda por controle de caixa, entidades do setor recomendam que empresas priorizem medidas de planejamento financeiro e leitura cuidadosa das condições de crédito antes de novas contratações ou renegociações.


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