Avaliação metabólica e genética orienta emagrecimento

Estudos destacam a complexidade do emagrecimento e a necessidade de abordagens individualizadas. Dra. Mariana Valini, nutróloga, aponta como a integração de dados genéticos e da microbiota intestinal pode orientar estratégias nutricionais personalizadas.
Avaliação metabólica e genética orienta emagrecimento

O emagrecimento envolve mecanismos fisiológicos que vão além de mudanças de comportamento, conforme indica artigo publicado no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS). A revisão aponta que o organismo tende a manter um ponto de equilíbrio da gordura corporal, o que pode dificultar a manutenção da perda de peso e reforça a importância de abordagens individualizadas no manejo do excesso de peso.

Programas de emagrecimento baseados apenas na redução do peso corporal podem resultar na perda simultânea de gordura e massa magra, o que pode comprometer a sustentabilidade dos resultados. Essa relação é descrita em revisão científica publicada na base PubMed da National Library of Medicine, que associa a diminuição da massa magra à redução do metabolismo e ao maior risco de reganho de gordura.

Dra. Mariana Valini, médica nutróloga, pontua que o tratamento do excesso de peso precisa considerar todos os fatores que contribuem para o quadro. "O tratamento da obesidade deve incluir o tratamento da(s) causa(s) da mesma, como deve ser o tratamento de qualquer outra doença. O diferencial neste caso é que a obesidade geralmente tem origem multifatorial e a disbiose está presente em quase todos os casos", explica.

Nutrigenética

Segundo a nutróloga, a nutrigenética é a área que estuda como as variações no DNA influenciam a resposta do organismo aos alimentos, como, por exemplo, por que algumas pessoas ganham peso mais facilmente com determinados tipos de carboidrato ou têm maior risco de deficiência de uma vitamina, mesmo com um padrão alimentar adequado.

"Na prática da nutrologia, a nutrigenética entra como uma camada adicional de personalização. Ela ajuda a entender predisposições como maior risco de hipercolesterolemia com dietas ricas em gordura saturada, ou maior sensibilidade à cafeína, e ajustar dieta e suplementação com mais precisão — sempre somando, nunca substituindo a avaliação clínica e os hábitos de vida", revela a médica.

A especialista ressalta que existe evidência científica suficiente para a aplicabilidade clínica da nutrigenética, desde que o recurso seja utilizado com critério, integrado à avaliação clínica e com expectativas realistas. "O ponto central não é se a abordagem funciona, mas como e para que ela deve ser utilizada".

Análise da microbiota intestinal

De acordo com a Dra. Mariana Valini, o sequenciamento da microbiota intestinal pode mostrar predomínio de bactérias fermentadoras de carboidratos e evidenciar uma baixa diversidade bacteriana, o que pode estar relacionado com trânsito intestinal mais lento e maior acúmulo de gases, gerando distensão abdominal.

"O sequenciamento também pode identificar desequilíbrio entre algumas populações bacterianas, identificando algumas espécies com maior potencial de lipogênese, maior flexibilidade metabólica ou produção de ativos responsáveis pela saciedade. Isso tudo pode atrapalhar o processo de emagrecimento", comenta a especialista.

A médica acrescenta que o aumento da permeabilidade intestinal permite que bactérias saiam da luz do intestino e atinjam outras estruturas e a própria corrente sanguínea, levando ao estado de inflamação silenciosa, relacionado à resistência insulínica e pior resposta a procedimentos e tratamentos estéticos.

"A prescrição de um cardápio voltado a favorecer o crescimento de populações bacterianas saudáveis irá retomar naturalmente o equilíbrio desta microbiota, melhorando os sintomas. Uma outra conduta possível é a suplementação probiótica, utilizando determinadas cepas que irão atuar especificamente no sintoma ou quadro a ser ajustado", afirma a Dra. Mariana Valini.

A nutróloga reforça que a análise do perfil da microbiota intestinal pode favorecer maior adesão do paciente à dieta orientada e às mudanças no estilo de vida, uma vez que a identificação de desequilíbrios bacterianos torna mais evidente a necessidade de ajustes. Segundo ela, o exame também permite direcionar de forma mais precisa a suplementação probiótica.

"A microbiota influencia processos como metabolismo de lipídios e carboidratos, regulação imunológica e integridade da barreira intestinal, impactando diretamente a suscetibilidade a doenças e o bem-estar. A variabilidade entre indivíduos na resposta a dietas é parcialmente explicada pelas diferenças na microbiota, tornando possível prever quais intervenções dietéticas podem ser mais eficazes para cada pessoa", sintetiza a especialista.

Para a Dra. Mariana Valini, o estudo da microbiota intestinal é central para o avanço da nutrição de precisão, uma vez que a integração dos dados do intestino com informações do DNA ocorre por meio de abordagens multiômicas que combinam dados genéticos, epigenéticos, metabolômicos e do microbioma.

"Essa integração permite construir modelos preditivos de resposta alimentar com o uso de algoritmos e análise de big data, possibilitando compreender predisposições metabólicas e imunológicas e orientar recomendações nutricionais personalizadas. Acredito que os testes laboratoriais se tornarão mais precisos, com menor custo e melhor validados, mas não deverão se tornar exames de rotina para toda a população", conta a nutróloga.

A médica orienta que as análises não devem ser indicadas como testes de rastreamento universal e nem ser solicitadas indiscriminadamente. Segundo a Dra. Mariana Valini, os exames beneficiam pacientes com quadros intestinais funcionais persistentes, deficiências nutricionais recorrentes ou inexplicáveis, condições metabólicas ou inflamatórias de difícil controle e pacientes altamente engajados e com boa adesão ao plano terapêutico, mas que ainda apresentam respostas limitadas.

Para mais informações, basta acessar o site oficial da Dra. Mariana Valini: http://dramarianamonteiro.com.br/


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