Cirurgia guiada reduz erros na instalação de implantes

Cirurgiões-dentistas brasileiros recorrem a softwares que simulam a posição de implantes antes da cirurgia. A técnica combina tomografia, escaneamento intraoral e impressão 3D para fabricar guias que direcionam a broca durante o procedimento. O Brasil possui 450 mil dentistas e 22,6 mil especialistas em implantodontia, segundo o CFO, mas a maioria dos consultórios ainda opera sem planejamento digital.
Cirurgia guiada reduz erros na instalação de implantes

Em vez de abrir a gengiva e posicionar o implante com base na experiência manual, um número crescente de cirurgiões-dentistas brasileiros tem recorrido a softwares que simulam todo o procedimento antes mesmo de o paciente sentar na cadeira. A técnica, conhecida como cirurgia guiada, combina tomografia computadorizada, escaneamento intraoral e planejamento tridimensional para definir com antecedência a posição, a angulação e a profundidade de cada implante. Dados do Conselho Federal de Odontologia (CFO) indicam que o país possui 450 mil cirurgiões-dentistas e 22,6 mil especialistas em implantodontia, segunda maior especialidade odontológica do Brasil. Apesar dos números, a maioria dos consultórios ainda opera sem planejamento digital.

O processo parte de uma tomografia do paciente, que gera um modelo tridimensional da arcada. Com esse modelo, o profissional utiliza plataformas como coDiagnostiX (Straumann), Exoplan (Exocad) ou Implant Studio (3Shape) para simular cada etapa da cirurgia e fabricar um guia personalizado, impresso em 3D, que será encaixado na boca durante o procedimento. Artigo publicado na Scientia Generalis em 2025 descreve a técnica como procedimento de precisão controlada e menor invasividade, com margem de erro reduzida em comparação ao método convencional.

Softwares exigem formação que a graduação ainda não oferece

Operar essas plataformas exige um repertório que vai além da técnica cirúrgica convencional. Princípios de imagem tridimensional, anatomia aplicada ao posicionamento protético e prototipagem digital passaram a ser competências necessárias, mas ainda pouco contempladas nos cursos de especialização. Segundo o CFO, a implantodontia é a especialidade com segundo maior número de registros no país, o que indica demanda aquecida num mercado cujas ferramentas de trabalho mudam em ritmo acelerado. "A formação em softwares de cirurgia guiada deveria integrar a grade curricular das especializações em implantodontia", avalia o cirurgião-dentista Andrei Guandalini, que ministra treinamentos na área em cursos internacionais pelo ILAPEO.

Prótese pronta antes da cirurgia

Na rotina clínica, a técnica já é aplicada tanto em casos unitários quanto em reabilitações de arcada completa com carga imediata. O planejamento prévio permite fabricar próteses provisórias antes do procedimento, de modo que o paciente sai da cirurgia com os dentes em função no mesmo dia. A Academia Brasileira de Osseointegração (ABROSS), responsável pelo principal encontro científico de implantes do país, tem dedicado módulos de sua programação a tecnologias digitais e protocolos guiados. No 15º Encontro Nacional da entidade, em São Paulo, trabalhos discutiram desde a precisão dos guias impressos em 3D até a integração entre planejamento virtual e carga imediata em reabilitações totais.

Produção científica cresce junto com a adoção clínica

A produção científica brasileira na área também avança. A revista ImplantNews, uma das principais publicações do setor, tem registrado aumento no volume de estudos sobre fluxo digital e planejamento computadorizado. Pesquisas em andamento na Universidade Estadual Paulista (UNESP) comparam, por exemplo, o desempenho de diferentes biomateriais em protocolos guiados. Publicações recentes, como o livro "Odontologia em Evolução", tratam da trajetória de incorporação tecnológica nos consultórios e dos desafios que a transição impõe ao profissional. "O planejamento digital permite prever cada etapa antes de operar, reduzindo riscos e contribuindo para o resultado do paciente", observa Guandalini. O CFO registra 450 mil cirurgiões-dentistas inscritos, número que reforça a escala do setor e a necessidade de que a formação acompanhe o ritmo das mudanças tecnológicas.

Sobre o especialista

 Andrei Correa Guandalini é cirurgião-dentista, especialista em Implantodontia e em Dor Orofacial e DTM, com mais de 18 anos de experiência clínica. Mestrando em Implantodontia pelo ILAPEO (Instituto Latino Americano de Pesquisa e Ensino Odontológico), é professor convidado de cursos internacionais na mesma instituição e professor de DTM e Dor Orofacial na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Autor do livro "Odontologia em Evolução" e de artigos publicados em periódicos com revisão por pares, como a RCMOS. Atua em Curitiba (PR).


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