Fim da escala 6×1 ganha apoio político e volta à pauta legislativa

Paim destaca que a redução da jornada tem impacto direto na saúde física e mental dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que acumulam longas jornadas diárias. Dados do INSS apontam que, apenas em 2024, mais de 470 mil afastamentos do trabalho foram registrados por transtornos mentais.

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional. Para o senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, não há mais justificativa para manter a atual jornada de 44 horas semanais, modelo que, segundo ele, já não responde às necessidades sociais e econômicas do país.

O tema ganhou novo fôlego após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluir a redução da jornada entre as prioridades do governo para o primeiro semestre, em mensagem enviada ao Congresso. No mesmo dia, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o assunto deverá avançar nos debates legislativos.

Autor de uma das propostas mais antigas sobre o tema, a PEC 148 de 2015, Paulo Paim avalia que o cenário político é favorável, especialmente por se tratar de um ano eleitoral e pelo apoio explícito do Palácio do Planalto. A proposta, já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais, e está pronta para ser votada em plenário.

Segundo o senador, setores do empresariado já começam a se adaptar à mudança, especialmente no comércio e na hotelaria. Para ele, a discussão não tem mais retorno e se trata apenas de tempo para que a nova realidade seja consolidada.

Atualmente, sete propostas sobre o tema tramitam no Congresso, com autoria de parlamentares de diferentes espectros políticos. Os projetos preveem, em geral, a redução da jornada para 40 horas semanais, o que pode beneficiar cerca de 22 milhões de trabalhadores. Caso a carga horária seja reduzida para 36 horas, o número de beneficiados pode chegar a 38 milhões.

Apesar da resistência de setores econômicos, o senador afirma que o discurso contrário à redução da jornada está desgastado. Para ele, mais trabalhadores empregados fortalecem o mercado e não provocam o colapso econômico frequentemente alegado por críticos da proposta.

O debate também ganha força ao ser comparado ao cenário internacional. Países como Chile, Equador e México já aprovaram leis para reduzir suas jornadas semanais, enquanto na Europa a média gira em torno de 36 horas. No Brasil, cerca de 67 por cento dos trabalhadores formais ainda cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais.

Para Paim, a redução da jornada representa um avanço social necessário e beneficia, sobretudo, os trabalhadores mais precarizados.


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