A International Data Corporation (IDC) projeta que os investimentos globais em iniciativas de cidades inteligentes ultrapassarão US$ 250 bilhões até 2027, concentrando‑se em mobilidade, segurança pública, sustentabilidade e gestão inteligente da infraestrutura urbana.
A consultoria Grand View Research estima que o mercado mundial de Digital Out‑of‑Home (DOOH) crescerá a uma taxa média anual superior a 10% até 2030, impulsionado pela digitalização dos espaços urbanos, pelo uso de plataformas programáticas e pela integração entre mídia e análise de dados.
O Relatório Global de Tendências da Dentsu 2025 indica que consumidores esperam experiências mais relevantes, personalizadas e conectadas ao seu contexto, enquanto anunciantes aumentam investimentos em soluções baseadas em dados, inteligência artificial e tecnologias de mensuração em tempo real.
"A próxima geração da mídia urbana será construída por plataformas conectadas, orientadas por dados e capazes de gerar valor para diferentes atores da cidade", afirmou Pablo Rojas Campanini, fundador e CEO da Guipa. "As marcas querem mais do que visibilidade; buscam contexto, mensuração, responsabilidade socioambiental e presença qualificada dentro da dinâmica real dos centros urbanos."
A Guipa, empresa de urban tech brasileira, desenvolveu uma plataforma baseada em motocicletas elétricas conectadas. Cada veículo incorpora painéis digitais de LED, câmeras inteligentes, sensores, sistemas embarcados e recursos de videotelemetria, permitindo a integração de mídia digital, inteligência operacional, monitoramento urbano e mobilidade elétrica em uma única infraestrutura.
A operação começou em São Paulo e Rio de Janeiro e, a partir de 2023, expandiu‑se para o ABC Paulista, Baixada Santista, Grande Recife, Grande Fortaleza e Caruaru (Pernambuco). Além das atividades logísticas, as motocicletas podem veicular campanhas publicitárias geolocalizadas, apoiar iniciativas de monitoramento urbano, gerar informações de circulação em tempo real e contribuir para projetos de inteligência operacional e gestão da mobilidade.
Campanini relaciona o modelo a uma tendência de transformar ativos físicos em plataformas multifuncionais: "Em vez de criar estruturas exclusivamente para uma finalidade, empresas passam a utilizar infraestruturas já existentes para integrar diferentes camadas de serviços, aumentando eficiência operacional e ampliando o retorno sobre os ativos".
Segundo o executivo, a publicidade urbana, tradicionalmente focada na visibilidade de marcas, está passando por uma reconfiguração. "Impulsionado pela digitalização, pelo avanço das cidades inteligentes e pela crescente demanda por formatos que combinem contexto, mensuração e tecnologia, o mercado de mídia exterior incorpora novas funções, aproximando comunicação, inteligência de dados e infraestrutura urbana", avaliou.
A Guipa mantém convênio com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, integrando sua tecnologia a iniciativas de monitoramento como o Muralha Paulista e o Smart Sampa. A proposta visa complementar redes fixas de videomonitoramento com uma infraestrutura móvel que amplia a cobertura em áreas e horários onde os equipamentos estáticos são insuficientes.
Do ponto de vista dos anunciantes, a plataforma utiliza inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e geolocalização para viabilizar campanhas segmentadas por região, horário e contexto de circulação, alinhando a mídia urbana aos padrões de planejamento e mensuração consolidados no ambiente digital.
A utilização de motocicletas elétricas reduz emissões de carbono e ruído urbano, ao mesmo tempo em que o modelo busca ampliar a renda e reduzir custos operacionais dos condutores parceiros, conectando inovação tecnológica, mobilidade e impacto social em uma única solução.
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