Consórcio cresce 14,6% nas vendas de cotas no semestre

Nos seis primeiros meses do ano, negócios atingem R$ 279 bilhões, enquanto os participantes ativos avançam 12,6% ao superar 13,36 milhões em junho
Consórcio cresce 14,6% nas vendas de cotas no semestre

No encerramento do primeiro semestre do ano, o sistema de consórcios registrou 14,6% de crescimento nas vendas de cotas. Saltou de 2,46 milhões de adesões em 2025 para 2,82 milhões neste ano, de acordo com o levantamento feito pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) junto à maioria de suas associadas.

Ainda na comparação dos seis primeiros meses deste ano versus o mesmo período do ano passado, os negócios decorrentes das vendas alcançaram R$ 278,99 bilhões, 25,5% maior que os R$ 222,39 bilhões anteriores.

Também a soma de participantes ativos aumentou. Enquanto em junho do ano passado havia 11,86 milhões, no mesmo mês deste ano, o total ultrapassou os 13,36 milhões, anotando alta de 12,6%.

Os destaques no primeiro semestre foram os percentuais de crescimento das vendas de cotas no geral e em quatro de seis setores que superaram as estimativas feitas pela assessoria econômica da ABAC para este ano.

Os 14,8% de crescimento no volume de adesões no sistema de consórcios estiveram 3,8 pontos percentuais acima da perspectiva de 11,0%. No setor de imóveis, ocorreu a maior elevação. Houve alta de 16,9 pontos percentuais sobre os 25,0% preconizados, ao atingir 41,9%. Também em motocicletas, os 8,6% suplantaram os 7,0% previstos.

Mais dois segmentos mostraram aumentos. Enquanto os 21,3% ultrapassaram os 20,0% apontados em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, em serviços, o projetado 8,5% foi suplantado por 14,0% cravados.

Em contrapartida, em veículos leves, os 4,2% obtidos ficaram abaixo dos 6,0% indicados. Todavia, os resultados mensais deste ano apontam para uma possível consecução da projeção. Paralelamente, a perspectiva de estabilidade em veículos pesados para o final do ano esteve inicialmente distante. Apesar de ter começado com (-11,6%) em janeiro, demonstrou gradativa recuperação e chegou a (-6,9%) em junho, uma evolução que sinaliza a possibilidade de alcance até dezembro.

Ao chegar a 13,36 milhões de participantes ativos em junho, ficou registrado 62,7% de crescimento sobre os 8,21 milhões anotados em janeiro de 2022. Neste período, pouco mais de quatro anos, foram obtidos 53 recordes consecutivos, com exceção de abril de 2023.

Ainda de janeiro a junho, o acumulado de contemplações, ocasião em que os créditos concedidos podem ser transformados em bens e serviços, atingiu 890,20 mil, 2,6% mais que as 867,44 mil do mesmo semestre de 2025. Os correspondentes créditos concedidos somaram R$ 63,77 bilhões, potencialmente injetados no mercado interno dos setores, 11,3% superiores aos R$ 57,28 bilhões anteriores.

O tíquete médio de junho apontou R$ 100,23 mil. O aumento foi de 8,3% sobre o do mesmo mês de 2025, quando havia atingido R$ 92,58 mil. O avanço reafirma o interesse do brasileiro por cotas de valores maiores, compatíveis com sua renda.

“O primeiro semestre do sistema de consórcios evidenciou as perspectivas traçadas no início do ano de crescimento das vendas de cotas e dos negócios, apesar da alta da inflação e da influência da desaceleração da economia nacional demonstrada pelos resultados da atividade econômica. No cenário consorcial, quase todos os indicadores mostraram-se positivos, o que permitiu uma trajetória positiva de crescimento. A constante busca por informações sobre educação financeira faz o consumidor avaliar e planejar a adesão à modalidade. Em muitas oportunidades, o brasileiro tem optado pelo consórcio na hora de adquirir bens ou contratar serviços.”

Detalhes dos indicadores

Vendas de cotas

No primeiro semestre, o destaque nas vendas foi a média mensal de comercializações registrada. Esteve em 470 mil em 2026, 14,6% acima das 410 mil em 2025.

No acumulado das adesões, 2,82 milhões, a distribuição por setor ficou assim: 995,83 mil de veículos leves; 838,03 mil de imóveis; 759,60 mil de motocicletas; 101,00 mil de eletroeletrônicos; 92,73 mil de veículos pesados, e 33,79 mil de serviços.

Percentualmente, nos seis segmentos, cinco registraram alta na soma das vendas: imóveis, com 41,9%; eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com 21,3%; serviços, com 14,0%; motocicletas, com 8,6%; e veículos leves, com 4,9%. Houve apenas uma retração: veículos pesados, com (-6,9%); contudo, ao longo do semestre, verificou-se tendência de recuperação nos desempenhos mensais neste setor.

Contemplações

Os consorciados contemplados por setor ficaram assim distribuídos: 378,97 mil em veículos leves; 339,20 mil em motocicletas; 80,35 mil em imóveis; 49,50 mil em veículos pesados; 21,33 mil em serviços; e 20,84 mil de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis.

Participantes ativos

Os percentuais de consorciados ativos em cada setor estiveram assim divididos: 41,3% nos veículos leves; 24,7% nas motocicletas; 24,2% nos imóveis; 7,0% nos veículos pesados; 1,8% nos eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 1,0% nos serviços.

Em cada segmento no qual o consórcio está presente, dos 13,36 milhões de participantes ativos, a soma ficou assim: 5,52 milhões em veículos leves; 3,30 milhões em motocicletas; 3,23 milhões em imóveis; 932,58 mil em veículos pesados; 238,32 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 138,82 mil em serviços.

Tíquete médio em cinco anos

Ao analisar o comportamento dos tíquetes nos meses de junho, nos intervalos dos últimos cinco anos, verificou-se valorização nominal de 48,7% na evolução dos valores médios registrados. Ao descontar a inflação (IPCA) de 19,33% do período, na relação da diferença de R$ 67,40 mil, de maio de 2022, para R$ 100,23 mil, no mesmo mês de 2026, houve elevação real de 24,62%.

Os consórcios na cadeia produtiva

De janeiro a junho, da potencial participação das contemplações do consórcio, foram liberados mais de R$ 47,32 bilhões, somente para os veículos automotores. O consórcio atingiu 27,9% de possível presença no setor de automóveis, utilitários e camionetas. No de motocicletas, houve 28,9% de provável participação, e no de veículos pesados, a relação para caminhões foi de 29,7%, no período. No segmento imobiliário, nos cinco primeiros meses do ano, as contemplações representaram potenciais 22,8% de participação no total de 296,94 mil imóveis financiados.


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