A conta de luz deve pesar mais no orçamento dos brasileiros em 2026. De acordo com a segunda edição do boletim InfoTarifas, divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 12 de junho de 2026, o efeito médio dos reajustes tarifários no país está projetado em 8,6% para o ano, acima das estimativas de inflação consideradas pela agência, de 4,9% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e de 5,8% para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).
O cenário é reforçado pela bandeira tarifária amarela, em vigor desde abril e mantida em julho, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. De acordo com a Aneel, a medida reflete condições menos favoráveis de geração, típicas do período seco, quando a redução dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas exige o acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado.
Diante da pressão sobre famílias e empresas, ganham espaço alternativas para reduzir os custos com eletricidade sem comprometer o consumo, como eficiência energética, geração distribuída e gestão inteligente do uso da energia. Para Marcelo Freitas, CEO da Soul, empresa que atua na integração entre energia, tecnologia e benefícios, o debate precisa ir além dos reajustes.
"A questão não é apenas ‘como consumir menos energia?’, mas ‘como reduzir a exposição de famílias e empresas a um custo essencial sobre o qual elas historicamente tiveram pouco poder de decisão?", indaga.
O executivo lembra que o consumidor está inserido em um sistema complexo, que envolve custos de geração, transmissão, distribuição, encargos e tributos, e que, durante décadas, teve papel predominantemente passivo nessa relação. Como a energia é uma despesa essencial e recorrente, os reajustes atingem diretamente o orçamento. "Uma família não deixa de refrigerar alimentos, e uma empresa não pode simplesmente reduzir sua operação sempre que a energia encarece", observa.
Gestão do consumo vai além de apagar luzes
Segundo Freitas, o erro mais comum na gestão de energia é acreditar que economizar significa necessariamente consumir menos, visão que considera limitada e, para muitas empresas, economicamente inviável. Outros equívocos frequentes, de acordo com ele, são analisar apenas o valor final da fatura, sem compreender o perfil da unidade consumidora e a composição daquele custo, e aceitar a energia como despesa inevitável e imutável.
"A mudança começa quando a energia deixa de ser apenas uma conta a pagar e passa a ser uma variável de gestão", avalia.
Nesse contexto, a geração distribuída é apontada como uma estratégia para minimizar os efeitos dos reajustes. Para o CEO, a principal inovação do modelo não está apenas na produção de energia renovável, mas na criação de novas formas de acesso. Na modalidade compartilhada, consumidores podem se beneficiar da energia gerada remotamente, conforme as regras aplicáveis ao setor, sem transformar o próprio telhado em usina.
"O consumidor não precisa necessariamente ser proprietário da infraestrutura de geração para participar de um modelo baseado em energia renovável", explica.
A percepção de que investir em eficiência energética exige alto custo inicial, segundo Freitas, está associada ao modelo que dominou o mercado por muitos anos, baseado na compra de equipamentos, na instalação de painéis e em um investimento inicial relevante.
Por meio da Soul Energy, consumidores e empresas podem acessar modelos de energia renovável sem a necessidade de instalar painéis solares no imóvel. "O mito está em imaginar que existe apenas um caminho. Investir em infraestrutura própria continua sendo uma opção, mas deixou de ser a única", diz.
Além da economia financeira, o executivo aponta benefícios como o valor percebido por clientes e colaboradores, já que poucas despesas são tão presentes no cotidiano quanto a conta de luz. Na avaliação dele, a tendência é de convergência entre setores que tradicionalmente funcionam de forma separada, como energia, tecnologia, benefícios e relacionamento.
"Minha principal orientação é não esperar que a solução venha apenas da mudança de comportamento individual", acentua, ao recomendar que consumidores conheçam o próprio perfil, avaliem as alternativas disponíveis e considerem novos modelos de acesso à energia.
Com a perspectiva de reajustes acima da inflação e a manutenção da bandeira amarela, a combinação entre eficiência energética, geração distribuída e gestão estratégica do consumo tende a ocupar espaço crescente nas decisões de famílias e empresas, ampliando o poder de escolha diante de um custo historicamente tratado como inevitável.
Para mais informações, basta acessar: https://soulenergy.io/
Relacionado
Descubra mais sobre Blog do Amazonas
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


