Ganhar dinheiro na internet virou meta de milhões de brasileiros, e a procura por empreender online cresce a cada ano. Só entre janeiro e abril de 2026, o país registrou a abertura de 2.050.548 microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, segundo dados do Sebrae — volume quase 14% maior que o do mesmo período de 2025.
Grande parte desse movimento se dirige ao comércio eletrônico, que segue em expansão. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) projeta faturamento de R$ 258 bilhões para o setor em 2026, crescimento de cerca de 10% sobre o ano anterior, com previsão de 457 milhões de pedidos e a entrada de dois milhões de novos compradores ao longo do ano. No cenário global, dados da Statista estimam as vendas de e-commerce em US$7,41 trilhões em 2026, alta de 8%, com projeção de US$8,91 trilhões até 2030.
Para quem quer começar, porém, a principal barreira costuma não ser a falta de mercado — e sim a falta de método. É nesse ponto que atua o Ecom Start, programa de formação criado pelo economista Rafael Bottrel, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com mais de 100 mil alunos, o Ecom Start é o maior programa de formação em e-commerce do Brasil em número de participantes.
O programa opera em escala nacional e o conteúdo é dividido em etapas práticas: escolher um nicho de mercado, selecionar produtos validados por meio de ferramentas de inteligência artificial, receber uma loja virtual personalizada montada pela equipe da empresa, e aprender a criar os primeiros anúncios para atrair clientes.
A proposta é que o aluno saia do programa com uma operação funcional, não apenas com conhecimento teórico. "O aluno não precisa saber criar site, entender de design ou de tecnologia. A gente entrega a loja pronta, com identidade visual, produtos validados e fornecedores cadastrados", afirma Rafael Bottrel, fundador do Ecom Start.
O método se baseia no que o empresário chama de modelo de lojas nichadas. Em vez de criar uma loja genérica que vende produtos variados para qualquer público, a estratégia concentra a operação em um único segmento — como casa e decoração, pets, moda ou maternidade. Segundo Bottrel, essa segmentação reduz o custo de aquisição de clientes e torna o crescimento mais previsível. "Quando a loja fala com um público específico, a comunicação é mais eficiente e o custo para conseguir clientes cai. Em uma única loja nichada, eu já faturei mais de R$ 10 milhões, com margem de 30% a 35%", relata.
O modelo opera sem estoque próprio. O lojista seleciona os produtos e os disponibiliza na loja virtual. Quando o cliente compra, o fornecedor se encarrega de embalar e enviar diretamente ao comprador. "Você não precisa de estoque, não precisa de funcionário, não precisa de ponto físico. É um negócio que funciona 24 horas por dia, e é comum o aluno acordar com o celular lotado de vendas da madrugada", descreve o fundador.
A história pessoal de Bottrel ajuda a explicar a construção do método. Em 2020, enquanto cursava Economia na UFMG e trabalhava como estagiário na prefeitura de Betim, em Minas Gerais, recebendo R$ 700 por mês — abaixo do salário mínimo da época —, pesquisou formas de ganhar dinheiro na internet e abriu sua primeira operação de e-commerce.
Um dos primeiros produtos que vendeu em volume foi um carregador de celular por indução, em plena era pós-pandemia. Seis anos depois, soma mais de R$50 milhões em faturamento acumulado e emprega cerca de 63 pessoas em áreas que incluem comercial, marketing, sucesso do cliente, produto e tecnologia.
No setor de plataformas de e-commerce, a trajetória de parcerias reflete o crescimento da operação. Em 2025, a empresa de Bottrel se tornou a maior afiliada da Nuvemshop e da HostGator no Brasil em volume de indicações. Em 2026, firmou parceria oficial com a Wix — maior plataforma de e-commerce do mundo —, tornando-se seu principal parceiro no país.
O programa funciona como porta de entrada para um ecossistema mais amplo de produtos educacionais. O Ecom Start é o primeiro degrau. A partir dele, os alunos podem evoluir para o Ecom Club, com mentorias ao vivo, e para o Ecom Scale, programa avançado com acompanhamento individual. A empresa projeta faturamento comercial de R$ 70 milhões em 2026.
Entre os alunos do Ecom Start está o empresário Raul Miranda, que buscava direção para começar. "Ter um mentor que entende todas as etapas da operação fez toda a diferença. Fui orientado em cada fase", afirma. Gabriel Mibielli, de 20 anos, nunca havia vendido pela internet antes de entrar no programa. "O treinamento é fácil de entender e mudou completamente minha vida profissional", relata.
Para Bottrel, o obstáculo brasileiro não é a falta de oportunidade, mas a ausência de orientação estruturada. "O brasileiro compra online cada vez mais — confia, parcela no cartão, paga por Pix em segundos. O mercado existe. O que faltava era alguém organizar o caminho de forma prática, sem enrolação. O Ecom Start foi montado a partir dos erros que aconteceram no começo da minha própria operação, justamente para encurtar esse percurso para quem está começando", conclui.
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