Piso elevado avança com a construção sustentável

Sistema de placas modulares dispensa contrapiso e período de cura, reduzindo prazo de execução e volume de resíduos gerados no canteiro. Sócio-fundador da Pisos Elevados Brasil, detalha como a técnica atende à demanda crescente por sustentabilidade na construção civil, do uso residencial à expansão de data centers no país
Piso elevado avança com a construção sustentável

A obra a seco tem ganhado espaço na construção civil brasileira como resposta a dois desafios: reduzir o consumo de água e enxugar cronogramas. Entre as soluções que se encaixam nessa lógica está o piso elevado, sistema de placas modulares apoiadas sobre pedestais que dispensa completamente o uso de água na montagem, ao contrário do contrapiso convencional.

Paralelamente, o setor da construção civil responde por cerca de 21% de todo o consumo de água tratada no planeta, segundo dados do Green Building Council citados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Parte desse volume se concentra em etapas como preparo de argamassa, contrapiso e revestimento, que ainda demandam cura de sete a 14 dias, variável conforme temperatura e umidade.

Bruno Nakamura, sócio-fundador da Pisos Elevados Brasil, enfatiza que o piso elevado dispensa completamente essa espera: não há cura, não há secagem, e a sequência da obra não fica travada aguardando um processo químico. "O serviço é entregue em uma fração do tempo, o que reduz o consumo de recursos ao longo de toda a obra", complementa.

Montagem sem argamassa e sem resíduo úmido

A montagem varia conforme o pedestal utilizado. Em modelos de polipropileno, a fixação ocorre por simples apoio sobre o piso existente, com as placas igualmente apoiadas sobre a estrutura. Nos sistemas com pedestais metálicos, a base é colada ao piso, e as placas podem ser encaixadas, aparafusadas diretamente aos pedestais ou fixadas em longarinas parafusadas à estrutura. "Em todas essas configurações, o princípio é o mesmo: montagem mecânica, sem argamassa, sem cura e sem resíduo úmido", descreve Bruno Nakamura.

Como a fixação é mecânica, o piso pode ser desmontado, remanejado e reaproveitado em outra obra, diferentemente do contrapiso convencional, que vira entulho ao final da vida útil. O tema é relevante para o setor: o Brasil gerou cerca de 48 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição em 2021, conforme a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Impacto varia conforme o público envolvido

Segundo o sócio-fundador da Pisos Elevados Brasil, o alcance da obra a seco no segmento ainda enfrenta um obstáculo entre projetistas. "É onde ainda existe a maior dificuldade. O piso elevado é um sistema pouco difundido no mercado brasileiro e há pouca informação técnica disponível, então muitos arquitetos e engenheiros ficam inseguros no momento de especificar e detalhar o sistema em projeto", afirma. Para ele, superar esse gargalo depende de suporte técnico constante e de disseminação de informação junto a esse público.

Já entre construtoras, o efeito é direto. "Há redução de cronograma, redução de mão de obra e redução de consumo de água e de energia, e esses ganhos são encadeados: quando o cronograma encurta, todo o custo indireto da obra encurta com ele", diz o executivo.

Como exemplo, ele cita uma área externa de 1.000 metros quadrados: pelo método tradicional, após laje e impermeabilização, ainda é preciso executar contrapiso, aguardar cura e só então assentar o revestimento, processo que soma cerca de 45 dias. Com piso elevado, mantidas impermeabilização e proteção mecânica, a instalação ocorre direto sobre essa camada, e o prazo cai para uma faixa entre 10 e 15 dias.

Para o meio ambiente, Bruno Nakamura aponta ganhos além da economia de água. "Há uma queda significativa na geração de resíduos: o preparo de argamassa e cimento em obra envolve desperdício considerável, tanto de água quanto de material, e a obra a seco simplesmente elimina esse processo", ressalta. Ele acrescenta que, em reforma ou mudança de uso do espaço, o piso elevado é desmontado e reaproveitado, enquanto contrapiso ou laje precisam ser demolidos, virando entulho.

Manutenção facilitada ao longo da vida útil

O sócio-fundador destaca ainda um benefício que aparece anos após a entrega: a manutenção em áreas externas, como varandas, coberturas e rooftops. Em soluções tradicionais, identificar a origem de uma infiltração exige demolir revestimento e contrapiso até a manta impermeabilizante, o que deixa a laje exposta por dias e pode causar alagamento no pavimento inferior em caso de chuva.

Com piso elevado, o procedimento muda de escala. "Basta levantar as placas na região afetada, identificar o ponto, executar o reparo e recolocar as mesmas placas. Sem demolição, sem material novo, sem exposição prolongada da laje", relata o especialista, que considera essa diferença relevante para o custo de manutenção do empreendimento.

Expansão puxada por data centers e novos materiais

O crescimento da inteligência artificial impulsiona investimentos em data centers no Brasil, movimento que inclui o projeto do TikTok no Ceará, superior a R$ 200 bilhões. Como o piso elevado é item essencial nesse tipo de instalação, o sistema ganha visibilidade nesse ciclo, de acordo com Nakamura.

O executivo chama atenção para uma percepção equivocada. "Como o piso elevado metálico foi o precursor e se consolidou nas aplicações de tecnologia, muita gente ainda acredita que ele é o único modelo existente", acentua. Segundo ele, o mercado conta com sistemas em ardósia, granito, quartzito, porcelanato, cimentício e vidro, cada um com aplicação própria, voltados a ambientes corporativos, comerciais, externos e residenciais.

Para Bruno Nakamura, ampliar essa percepção faz parte do trabalho da Pisos Elevados Brasil no mercado nacional. "O piso elevado não é uma solução de nicho para data center, é um método construtivo de alcance muito maior", conclui. A empresa se apresenta como a única do país a atuar em todos os tipos de piso elevado, da comercialização à instalação, em escala nacional.

Para mais informações, basta acessar: https://pisoselevadosbrasil.com.br/


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