Manufatura acelera modernização e demanda novas competências

A modernização da indústria avança, mas a preparação da força de trabalho ainda é um desafio. Segundo estudo da Manpower, 93% dos fabricantes esperam mudanças na força de trabalho provocadas pela robótica e pela manufatura inteligente, enquanto 60% dos profissionais não receberam treinamento em competências nos últimos seis meses.
Manufatura acelera modernização e demanda novas competências

A indústria manufatureira está redefinindo sua força de trabalho à medida que acelera a adoção de automação, inteligência artificial (IA) e tecnologias digitais. Ao mesmo tempo, mudanças nas cadeias de suprimentos ampliam a necessidade de novas competências e pressionam as empresas a prepararem seus profissionais para esse novo cenário.

Segundo levantamento da Manpower, 93% dos fabricantes esperam que a robótica e a manufatura inteligente transformem sua força de trabalho. Entre as principais respostas estão a requalificação dos profissionais atuais, mencionada por 50% das empresas, e a contratação para novas funções, por 42%.

Para Nilson Pereira, CEO do ManpowerGroup Brasil, a transformação tecnológica também redefine o perfil dos profissionais necessários à indústria. "A automação altera a natureza de determinadas funções e aumenta a demanda por competências digitais, técnicas e de resolução de problemas. Por isso, a modernização da indústria precisa caminhar com a preparação das pessoas", afirma.

O impacto dessa transformação já é percebido pelos trabalhadores. Embora 45% dos profissionais da indústria manufatureira temam que a IA ou a automação possa substituir sua função atual nos próximos dois anos, o cenário também revela abertura para a mudança: 66% se sentem confiantes para utilizar as tecnologias mais recentes, e 79% acreditam que terão oportunidades para desenvolver novas competências.

A preparação, porém, ainda apresenta lacunas. Segundo o Barômetro Global de Talentos 2026, relatório do ManpowerGroup, 60% dos profissionais do setor afirmam não ter recebido nenhum treinamento em competências nos últimos seis meses. "Existe disposição para aprender e utilizar novas tecnologias, mas ela precisa ser acompanhada por oportunidades de desenvolvimento. A requalificação precisa fazer parte do planejamento da transformação", diz Nilson.

A adoção da IA também exige mudanças na estrutura das empresas. Apenas 46% dos CIOs da indústria manufatureira declaram que seus esforços de integração da tecnologia estão em fase de implementação. Entre os desafios estão a modernização de sistemas legados, os riscos de cibersegurança e a comprovação do retorno dos investimentos em IA e automação.

A transformação não se limita ao chão de fábrica. As cadeias de suprimentos também estão sendo redesenhadas diante de riscos geopolíticos, tarifas e interrupções nas rotas comerciais. O reshoring, movimento de aproximação da produção aos mercados consumidores, ganhou espaço nesse contexto. Em 2025, mudanças tarifárias entre as principais economias redirecionaram mais de US$ 400 bilhões em fluxos comerciais, enquanto interrupções em rotas estratégicas elevaram em 40% os custos do transporte marítimo de contêineres em relação ao ano anterior.

Essa reorganização também aumenta a demanda por profissionais com competências específicas, especialmente quando esses talentos não estão disponíveis nos mercados locais. Para Nilson, tecnologia, operações e pessoas precisam ser consideradas de forma integrada. "Quando uma dessas dimensões muda, as demais também precisam acompanhar esse movimento. O planejamento da força de trabalho precisa estar conectado às decisões sobre automação, produção e novas competências", ressalta.

À medida que funções rotineiras são automatizadas, a capacidade de combinar tecnologia, competências técnicas e habilidades de resolução de problemas tende a se tornar cada vez mais estratégica para a manufatura. Para as empresas, o desafio passa a ser garantir que sua força de trabalho esteja preparada para capturar o valor dessas mudanças.

"A indústria não enfrenta apenas um desafio tecnológico, mas de força de trabalho. Automatizar processos sem preparar as pessoas para novas funções limita o potencial da transformação. Tecnologia e força de trabalho precisam avançar juntas", conclui Nilson Pereira.


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