Desde a época do “Porto de Lenha”, passando pelo auge da economia da Borracha, quando barcos de todo o mundo atracavam no porto local até os dias atuais, em que o Polo Industrial transformou a cidade na capital econômica da região, exportando produtos globalmente e garantindo o abastecimento interno de alimentos e insumos essenciais, o transporte fluvial e a logística desempenham papéis fundamentais na história e no cotidiano de Manaus.
Essa vocação faz parte do DNA da metrópole que nasceu nas margens do Rio Negro, que no próximo dia 24 de outubro completa oficialmente 357 anos, e hoje transformou rios em estradas em uma combinação única de modais que abastecem suas indústrias e comércio, conectando a floresta aos principais mercados globais e assegurando comida, emprego e renda para mais de 2,3 milhões de pessoas.
CONTRARIANDO AS ESTATÍSTICAS
De acordo com especialistas, poucas cidades no mundo operam sob condições geográficas e climáticas tão desafiadoras como distâncias continentais e regimes severos de cheia e seca dos rios que exigem resiliência e criatividade dos transportadores locais ao longo da história.
Para o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), Irani Bertolini, em Manaus, a logística se reinventa diariamente. “Em que outro lugar do mundo se transporta um porto inteiro por quilômetros de rio para garantir o fluxo logístico no período de estiagem?”.
Pioneiro do setor na região desde a década de 1970, Bertolini acrescenta que a logística e a construção naval em Manaus estão entre as melhores do mundo, com embarcações fluviais milimetricamente planejadas para o nível das águas e operações integradas ao modal rodoviário, até o rastreamento tecnológico de cargas em plena floresta, balsas ecologicamente responsáveis e malhas multimodais que precisam funcionar 365 dias por ano.
“Escolhi Manaus para construir minha vida porque este aqui o setor de transportes pulsa com uma intensidade que se vê em poucos lugares. Ver a evolução da cidade é um orgulho e a logística aqui não é apenas uma atividade econômica, ela é a linha da vida que conecta pessoas, traz o alimento e garante o sustento de milhões de famílias”.
VOCAÇÃO HISTÓRICA
Ocupando o 5º lugar entre as capitais com maior PIB do país, Manaus também passou a ocupar o centro do debate logístico internacional, deixando de ser apenas o ponto de escoamento das mercadorias do PIM e figurar como rota estratégica para a produção agrícola nacional e integração do continente.
Esse protagonismo ganhou ainda mais força com o sucesso da última edição da TranspoAmazônia – Feira Internacional de Logística e Transporte realizada em maio na capital. Promovida pela Federação das Empresas de Logistica, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), o evento atraiu mais de 15 mil visitantes e representantes de cerca de 65 países, além de empresários e especialistas de todo o Brasil.
E o próximo capítulo desta história já está agendado. Trata-se da 4ª edição da TranspoAmazônia – Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval que acontecerá de 19 a 21 de maio de 2027. E, segundo Bertolini, celebrar o aniversário de Manaus também é reconhecer a maturidade de um lugar estratégico no mapa das Américas.
“O sucesso internacional da TranspoAmazônia consolida Manaus como um hub logístico mundial. Nossos desafios não são barreiras intransponíveis, são motores de inovação e, em 2027, iremos mostrar que estamos prontos para os próximos anos, seguir com a vocação histórica da cidade, provando que garantir a eficiência do transporte na nossa região significa gerar riqueza e bem-estar para todo o Brasil”, acrescentou Bertolini.
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