Mulheres e homens trans custodiados no Compaj terão acesso a implante contraceptivo pelo SUS

Iniciativa da Prefeitura de Manaus beneficia 72 pessoas privadas de liberdade e 60 colaboradoras do Centro de Detenção Feminino

Um novo atendimento de saúde passou a ser disponibilizado para mulheres e homens trans que estão sob custódia no sistema prisional de Manaus. A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), entregou na quarta-feira (12) uma remessa de implantes contraceptivos à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Os insumos serão utilizados no Centro de Detenção Feminino (CDF), localizado no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.

132 pessoas estão entre o público elegível

Ao todo, 72 pessoas privadas de liberdade poderão receber o método contraceptivo. A iniciativa também contempla 60 colaboradoras do CDF, entre policiais penais, gestoras e outras profissionais que atuam na unidade.

Com isso, o número de pessoas elegíveis chega a 132.

A ação busca facilitar o acesso ao serviço de saúde dentro do próprio sistema prisional, evitando que as pacientes precisem deixar a unidade para realizar o procedimento.

Profissionais foram capacitadas

Além da entrega dos implantes, a Semsa capacitou duas médicas ginecologistas da Seap para realizar a inserção do método.

O treinamento foi realizado em abril pelas equipes da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher. As profissionais serão responsáveis pela avaliação das pacientes, prescrição e inserção do implante, conforme indicação médica.

Segundo Liege Franco de Sá, chefe do Núcleo de Promoção do Respeito à Diversidade da Semsa, a medida amplia o acesso à saúde para uma população que enfrenta dificuldades específicas.

“A oferta do método na unidade prisional favorece o acesso para elas, evitando que precisem ser conduzidas até a unidade básica.”

Método pode prevenir gravidez por até três anos

O implante contraceptivo disponibilizado pelo SUS é um pequeno bastão que contém etonogestrel e é colocado sob a pele do braço.

Segundo a Semsa, o método impede a ovulação e pode oferecer proteção contraceptiva por até três anos.

O implante também pode ser retirado a qualquer momento por meio de procedimento médico, permitindo a retomada da fertilidade após a remoção.

Atendimento prioriza população em situação de vulnerabilidade

A oferta do método começou a ser ampliada em Manaus no início deste ano, com prioridade para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Nesse grupo estão incluídas pessoas privadas de liberdade e homens trans.

A iniciativa foi construída a partir de uma articulação entre a Semsa e a Coordenação do Sistema Prisional do Amazonas (Cosipe), vinculada à Seap.


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