O transporte público de Manaus enfrenta um novo sinal de alerta. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) afirmou que não tem condições de cumprir integralmente os compromissos financeiros com os trabalhadores sem receber os valores que, segundo a entidade, estão pendentes por parte do Governo do Amazonas.
O alerta foi apresentado na terça-feira (3), durante uma coletiva de imprensa convocada pelo sindicato. Na ocasião, o presidente da entidade, César Tadeu Teixeira, afirmou que a situação financeira das empresas chegou a um nível preocupante e pode comprometer a continuidade da operação do sistema de transporte coletivo na capital.
Entre as principais preocupações estão o pagamento da folha salarial e da primeira parcela do 13º salário dos funcionários.
Segundo o dirigente, os compromissos com os trabalhadores já estão próximos do vencimento e dependem da regularização dos repasses.
Dívida do Passe Livre Estudantil chega a R$ 279 milhões
De acordo com o Sinetram, o principal impasse envolve os valores referentes ao Passe Livre Estudantil, benefício utilizado por milhares de estudantes que dependem do transporte coletivo para frequentar escolas e instituições de ensino.
O sindicato aponta que o montante devido pelo Governo do Amazonas chega a R$ 279.456.877,92, considerando pendências de 2025 e os valores referentes ao exercício de 2026.
A entidade afirma que o atraso nos pagamentos compromete diretamente o equilíbrio financeiro das empresas, uma vez que a arrecadação com as passagens dos demais passageiros não seria suficiente para cobrir os custos da operação e o transporte gratuito ou subsidiado dos estudantes.
Cerca de 44 mil estudantes utilizam o benefício mensalmente
Segundo os dados apresentados pelo sindicato, aproximadamente 44 mil estudantes utilizam mensalmente o Passe Livre Estudantil.
Em 2026, os custos relacionados ao benefício alcançam uma média de R$ 17,5 milhões por mês, conforme os cálculos divulgados pelo Sinetram.
A entidade também afirma que não possui condições de manter os créditos das passagens estudantis referentes aos meses de novembro e dezembro sem que haja o pagamento antecipado dos valores correspondentes.
Entenda por que a dívida passou de R$ 36 milhões para R$ 279 milhões
A diferença entre os valores está relacionada ao preço utilizado como referência para calcular o custo das passagens estudantis.
Em junho de 2025, uma decisão liminar da Justiça do Amazonas estabeleceu o valor de R$ 2,50 por passagem, correspondente à meia-tarifa. Com esse critério, o cálculo das pendências de 2025 e 2026 chegou a R$ 36.908.195,00.
Posteriormente, após uma intervenção da Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), houve a apresentação de um Agravo de Instrumento.
A Justiça revogou a liminar anterior e determinou que o cálculo considerasse a tarifa técnica do sistema, estabelecida em R$ 9,30 por passagem.
Com a mudança no critério, o valor apresentado como dívida pelo sindicato passou para R$ 279.456.877,92.
O entendimento judicial, conforme relatado pelo Sinetram, considera que o Passe Livre Estudantil é uma política pública e que seu custo deve levar em conta o valor real da operação do transporte, e não apenas a quantia paga pelo estudante.
Sindicato pede solução e aguarda posicionamento dos governos
Durante a coletiva, César Tadeu Teixeira afirmou que o sindicato estaria disposto a receber inicialmente os R$ 36,9 milhões calculados pelo critério anterior, como uma entrada do montante atualizado. O restante, segundo ele, poderia ser negociado e pago de forma parcelada.
O presidente também afirmou que pretende conversar com a Prefeitura de Manaus, responsável pela concessão do serviço de transporte público na capital, para definir os próximos encaminhamentos.
Até a publicação da reportagem original, a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas haviam sido procurados, mas ainda não tinham apresentado posicionamento sobre as declarações e cobranças do sindicato.
O impasse coloca em evidência uma questão que afeta diretamente milhares de trabalhadores e usuários do transporte coletivo: a necessidade de uma solução para garantir o pagamento dos compromissos financeiros e a continuidade do serviço essencial para a população de Manaus.
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