Mais de 83% dos municípios não atingem nota máxima em informações fiscais

Estudo da CNM mostra que apenas 930 das 5.568 prefeituras receberam nota A no Ranking do Tesouro Nacional

Prestar contas do dinheiro público não é uma tarefa simples, e as prefeituras brasileiras enfrentam um grande gargalo na hora de cruzar as informações do que recebem e do que gastam. É o que revela novo estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), baseado nos dados mais recentes do Ranking do Tesouro Nacional — referente às contas de 2025. 

O levantamento revela que apenas 930 dos 5.568 municípios do país (16,70%) conseguiram a Nota A, dada às gestões com padrão de excelência na prestação de contas.

Na prática, isso significa que mais de 83% das cidades do Brasil ainda têm dificuldades para entregar dados totalmente consistentes e sem divergências para os órgãos de controle.

Maiores divergência de dados

O principal problema apontado no estudo está relacionado às contas sobre repasses fundamentais para o funcionamento dos serviços públicos. Na checagem sobre o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), por exemplo, apenas 75,56% das prefeituras apresentaram dados que bateram exatamente com os registros de repasse da União. Isso quer dizer que 24,44% das cidades registraram valores com divergências.

Quanto a verbas da Educação, a maior disparidade do estudo apareceu no cruzamento entre o sistema contábil das prefeituras e o sistema de informações da Educação (Siope). Na checagem sobre os repasses de impostos para o setor, apenas 59,41% dos municípios entregaram informações sem erros.

VEJA MAIS:

No caso do Fundeb, a concordância de dados ficou em 74,44% nas receitas gerais e em 69,11% na parte que cabe à complementação feita pela União. Já a prestação de contas dos impostos arrecadados localmente registrou 71,08% de acertos entre os sistemas.

Quanto aos gastos com Saúde, entre os principais desafios está a identificação de para onde vai o dinheiro. O preenchimento correto dos códigos que mostram a origem das verbas da área foi feito de forma adequada por apenas 75,05% das prefeituras. Na educação, esse mesmo acompanhamento registrou 72,22% de conformidade.

O mapa das notas e contrastes regionais

O Tesouro avalia a qualidade das informações fiscais e atribui notas de A (excelência, com mais de 95% de acertos) até E (baixa confiabilidade, com menos de 65% de acertos). De um ano para o outro, houve avanços, mas também o crescimento das gestões em situação mais vulnerável:

  • Nota A: Subiu de 547 municípios (9,82%) para 930 (16,70%), um ganho de 383 cidades (+6,88%).
  • Nota B: É onde está a maior parte das prefeituras do país, passando de 2.497 (44,85%) para 2.583 (46,39%).
  • Notas C e D: Recuaram para 995 (17,87%) e 301 (5,41%), respectivamente.
  • Nota E: O grupo na pior faixa de avaliação subiu de 683 (12,27%) para 759 (13,63%) — um aumento de 76 municípios (+1,36%). 

A realidade varia bastante de acordo com a região. O Espírito Santo se destaca como o único estado em que 100% dos municípios estão nas faixas superiores (A e B), seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco e São Paulo.

Em contrapartida, os estados com os maiores percentuais de cidades na faixa E — a mais baixa do ranking — são Tocantins (38,9%), Amapá (37,5%), Rio de Janeiro (37,0%), Acre (31,8%), Paraíba (30,0%) e Pará (28,5%).

Aumento das exigências 

A avaliação não ficou apenas mais rigorosa em termos de análise, mas também em volume de regras. Entre 2019 e 2025, o número de checagens feitas pelo governo federal saltou de 72 para 207 — uma alta de 187,5%, com a entrada de 25 novos testes na edição atual.
 

Pixel Brasil 61


Descubra mais sobre Blog do Amazonas

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Takeda apresenta resultados do estudo de fase 2/3 IgGNITE do TAK-881 subcutâneo experimental para imunodeficiência primária (IDP) na ESID 2026

− O TAK-881 cumpriu seu estágio final primário, demonstrando comparabilidade farmacocinética ao HYQVIA® em pacientes com 16 anos ou mais.
− O TAK-881 pode reduzir o tempo de infusão e oferecer a possibilidade de menos locais de infusão necessários em comparação ao HYQVIA, com 50% menos volume, mantendo a administração de até uma vez por mês.
− Os resultados de infecção em adultos e os perfis de segurança e tolerabilidade foram comparáveis ​​aos do HYQVIA com base em análises descritivas e consistentes com os padrões estabelecidos para terapia com imunoglobulina.

Leia mais »

Professores transformam quase 40 canteiros de obras em salas de aula e ajudam trabalhadores a retomar os estudos

As histórias de Silvana Bárbara, de Curitiba (PR), e Yuri Sena, de Manaus (AM) representam diferentes caminhos que levam à docência e ajudam a mostrar os desafios e as descobertas de quem escolheu ensinar adultos.

Leia mais »

Do Porto de Lenha a hub global: Manaus se reinventa como capital da logística nos 357 anos

De acordo com especialistas, poucas cidades no mundo operam sob condições geográficas e climáticas tão desafiadoras como distâncias continentais e regimes severos de cheia e seca dos rios que exigem resiliência e criatividade dos transportadores locais ao longo da história.

Leia mais »